Partilha de tarefas ajuda a aumentar a natalidade

Quando iniciar a criança na natação, benefícios e cuidados a ter
7 de junho de 2018
Unhas fracas depois da gravidez, o que posso fazer?
14 de junho de 2018

Young father changing nappy to his cute little baby son

Imaginamos que já tenha encontrado vários argumentos para tentar garantir que as tarefas domésticas são distribuídas de uma forma igualitária. O que provavelmente não sabia era que a partilha de tarefas ajuda a aumentar a natalidade?

A luta pela equidade tem sido um dos principais motores da nossa era e, provavelmente, qualquer mulher (e mesmo homem) consegue justificar com argumentos variados as mais-valias de uma vida mais igualitária para o casal.

Apesar de o senso comum e a cultura do nosso século se voltarem pertinentemente para estas ideias, a verdade é que, continuadamente, a própria ciência tem procurado, nesta nova forma de vida (ainda em desenvolvimento) justificações para acontecimentos diversos.

Recentemente, a proposta de um estudo americano foi justamente a de compreender como a partilha de tarefas pode ser responsável por aumentar a natalidade.

Esta premissa, que associa ao feminismo, enquanto movimento que busca a equidade entre homens e mulheres, revelou resultados interessantes no que diz respeito à forma como a divisão das tarefas pode ajudar a aumentar a natalidade de um país.

Hoje, é sobre este estudo que falaremos, para que fique a conhecer as premissas levantadas e os resultados obtidos.

1. O estudo

Foi na Universidade de Northwesters, em Chicago e na Universidade de Bona que os investigadores Matthias Doepke e Fabian Kindermann se propuseram estudar a forma como diversos momentos cotidianos e políticas internacionais poderiam afetar a natalidade.

Com o nome “Bargaining over babies: Theory, Evidence, and Policy Implications”, que significa, na tradução “Negociando sobre bebês: teorias, evidências e implicações políticas”, este estudo propôs-se, entre outras coisas, a provar que a equidade relacional no seio da casa, aplicada em momentos como a partilha das tarefas, pode ajudar a aumentar a natalidade.

Este estudo foi apresentado na Associação Americana de Economia, no ano de 2015.

2. Os resultados

Os resultados obtidos por este estudo indicaram que as políticas externas e os hábitos quotidianos que propiciam a redução do fardo doméstico (usualmente atribuído ao gênero feminino) através da partilha das tarefas têm uma eficácia três vezes superior à da atribuição de subsídios para a natalidade.

O estudo comprovou a relação entre a má distribuição das tarefas e a redução da natalidade, atribuindo esta causa ao desacordo que muitas vezes existe, entre a mulher e o homem, quanto à ideia de ter um (ou mais) filhos.

Segundo os resultados obtidos, nas sociedades ocidentais, a vontade (ou falta dela) de uma mulher ter filhos é preponderante perante a vontade masculina.

O acesso a meios contraceptivos permite que a mulher se torne a decisora final nesta questão, ao contrário do que acontece em países menos desenvolvidos, onde, por falta de acesso ao mesmo tipo de meios, o desejo de paternidade do homem sempre – ou quase sempre – se sobrepõe ao da parceira.

Nos termos ocidentais, portanto, o estudo revela que um casal que concorde quanto à ideia de ter um ou mais filhos tem três vezes mais hipóteses de os ter do que um casal no qual o homem discorde e quatro vezes mais hipóteses do que num casal em que a mulher esteja em desacordo.

De salientar que um dos principais motivos deste desacordo se prende com a desigualdade na distribuição das tarefas e na dificuldade sentida pelas mulheres na gestão da sua vida profissional, doméstica e familiar.

Assim, em países onde a divisão do trabalho é mais desigual, aumenta a probabilidade de que as mulheres não desejem ter um (ou mais) filhos e há uma redução estatística nos números relativos à natalidade.

3. O reforço da ideia

Embora este estudo tenha lançado a noção, algo polêmico, de que as noções feministas poderiam aumentar a natalidade; a verdade é que as respostas destes investigadores não estiveram sós, sendo suportadas por diversos estudos e investigações anteriores e posteriores.

Um inquérito da ONU, por exemplo, é indicador de que entre ¼ e ½ dos casais têm discordância quanto à ideia de ter um ou mais filhos, sendo que os países com taxas mais baixas de natalidade são aqueles nos quais a discordância está mais patente.

Além da divisão das tarefas, estudos revelam que situações culturais podem ter, também, um impacto na natalidade.

Exemplo disso é a Alemanha, onde as mães emigrantes sentem, muitas vezes, o preconceito no regresso ao trabalho, o que pode, também, motivar o desacordo no momento de ter filhos.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com