Febre amarela: Como proteger bebês? O que é dose fracionada? Veja perguntas e respostas

Estrias na gravidez: não adianta usar óleo, mas dermatologista dá dica infalível
13 de fevereiro de 2018
Probiótico ajuda a aliviar as cólicas do bebê
19 de fevereiro de 2018

Com novos casos registrados esse ano, e as mortes em São Paulo, novidades em relação à febre amarela ocuparam o noticiário nos últimos dias.

A principal delas foi a adoção da dose fracionada nos estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro — em que uma dose antes destinada a uma pessoa será dividida e aplicada a pelo menos quatro.

Não há motivos para alarde, mas o Ministério da Saúde está adotando ações preventivas e aumentando os municípios que receberão a vacina, já que grande parte da população não está imunizada.

A vacinação era mais comum em regiões de risco, como a Norte. Com a chegada do vírus em áreas antes não afetadas, como o Sudeste, a vacinação de urgência se fez necessária e dúvidas sobre esse novo cenário podem surgir: como a proteção naqueles que não podem tomar o imunizante e a eficácia da dose dividida.

Para esclarecer algumas questões, o G1 consultou a Fiocruz, o Ministério da Saúde e os infectologistas Marcos Boulos, coordenador de doenças do estado de São Paulo, Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arbovirose. Confira abaixo.

Onde a vacina está disponível?

Apesar dos novos casos, a forma circulante da febre amarela é a silvestre (originária de matas) e, por isso, o Ministério da Saúde está fazendo campanhas de vacinação apenas em regiões de risco.

Com novos casos e mortes, no entanto, o imunizante está sendo ofertado em novos municípios; e, em alguns lugares, como em São Paulo, a vacina será ofertada em todo o estado.

Quem pode tomar a vacina?

Crianças a partir de nove meses e adultos até 59 anos.

Quem pode tomar com restrições?

Pessoas acima de 60 anos e gestantes só devem receber o imunizante se não apresentarem nenhuma contraindicação e estiverem muito próximos a locais com casos relatados.

Indivíduos com HIV/Aids também podem desde que não apresentem imunodeficiência grave. Para isso, deve ser feito exame para contagem de CD4 (células de defesa), informa a Fiocruz.

Mulheres que estão amamentando devem suspender o aleitamento materno por 10 dias após a vacinação.

Quem não pode tomar a vacina, mesmo estando em regiões de risco?

Crianças menores de nove meses. Pessoas com câncer, indivíduos que passaram por transplante e pessoas com alergia grave ao ovo. Todos com deficiência no sistema imune também devem consultar um médico.

Como proteger bebês com menos de nove meses e pessoas que não podem tomar a vacina?

Nesses casos, devem ser utilizados métodos para evitar picadas de mosquitos e, no caso de viagem para área de risco, analisar a possibilidade de adiamento.

Para quem mora em região de risco, o uso de repelentes, telas de mosquito, blusas de manga comprida e calças, além da manutenção de portas e janelas fechadas podem ajudar a evitar a exposição.

Vale lembrar que o repelente é contraindicado para crianças menores de seis meses, que devem ser mantidas todo o tempo em ambientes protegidos por telas e mosquiteiros em regiões de risco, informa o Ministério da Saúde.

O que é dose fracionada?

Trata-se da divisão da dose antes aplicada: a dose padrão contém 0,5 ml e a versão dividida passa a ter 0,1 ml.

Com isso, uma vacina que antes era destinada para uma pessoa pode ser aplicada em quatro indivíduos – podendo chegar a cinco.

A dose fracionada protege da mesma forma que a padrão?

Estudos da Fiocruz demonstraram que 0,1 ml da vacina (dose fracionada) garante imunidade contra a febre amarela por oito anos.

O período corresponde ao tempo de acompanhamento de pessoas que receberam a vacina em estudo. Com o passar dos anos, pode ser que a vacina tenha um período maior de eficácia.

Quanto à dose padrão, já se sabe que uma única dose protege para a vida inteira.

Por esse motivo, o Ministério da Saúde não descarta que aqueles que receberam a dose fracionada tenham que voltar para um reforço, mas isso vai depender de estudos a longo prazo.

Essa dose já foi aplicada antes? Ela é segura?

A dose fracionada ajudou a controlar um surto de febre amarela em Angola, em 2016. No Brasil, no entanto, é a primeira vez que a dosagem de 0,1 ml é adotada.

Estudos da Fiocruz também atestaram que a dose é segura. “Temos dados de estudo e uma aplicação real da vacina que mostram sua eficácia e segurança”, diz Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Por que algumas pessoas vão tomar a dose fracionada e outra não?

Crianças de 9 meses a até 2 anos, pessoas com condições clínicas específicas (como pacientes com HIV/Aids), gestantes e viajantes internacionais vão continuar tomando a dose padrão.

Isso ocorreu por dois motivos: a eficácia da dose fracionada não foi estudada nessas populações e elas já não respondem muito bem à dose padrão.

No caso de viajantes, não há uma regulamentação internacional para a dose fracionada — por isso, o governo continuará adotando a dose padrão nesses casos.

Já tomei a vacina padrão, mas faz mais de 10 anos. Preciso tomar um reforço?

Não. O Ministério da Saúde adotou em abril o padrão da OMS de dar a vacina padrão apenas uma vez, sem o reforço após dez anos que antes era recomendado. “Quem já tomou está tomado, é uma dose na vida, não há necessidade de repetição”, explica a infectologista Rosana Richtmann.

Corre o risco de faltar vacina?

O fracionamento foi adotado porque já faltariam vacinas se fosse dada apenas a dose cheia. O Ministério da Saúde informa que, ao fracionar, vai garantir o fornecimento nas regiões de maior risco.

Timerman acredita que não há dúvida de que o Brasil vai ter de adotar a vacina universal em algum momento. “Descontando as pessoas que não podem tomar a vacina, isso daria 140 milhões de doses”, diz.

Para Renato Kfouri, nesse momento também poderia ser pensado a vacinação para todos. “Mesmo na versão silvestre, a febre amarela já chegou na faixa litorânea e em regiões mais densamente povoadas. Temos gerações que não foram imunizadas porque antes não havia essa necessidade, mas agora seria algo a ser considerado”, diz.

Por esse motivo, diz Kfouri, a vacina contra a febre amarela passará a constar no calendário de imunizações, com todos os bebês acima de 9 meses recebendo a vacina. “A inclusão no calendário vacinal vai gerar imunização nas próximas gerações. Como nascem 3 milhões de brasileiros por ano, para esse número, há vacina”, comenta.

A forma da febre amarela é urbana ou silvestre?

Não há indícios de que o Aedes Aegypti esteja transmitindo a febre amarela e, por isso, a forma da doença é silvestre (transmitida por mosquitos que ficam à beira do rio), explica Marcos Boulos, infectologista e coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo.

Ele informa que o estado de São Paulo faz uma vigilância constante noAedes para verificar sua capacidade de transmissão – e não foi encontrada a presença do vírus da febre amarela no mosquito.

Quais são os sintomas da febre amarela? Como ela é transmitida?

As primeiras manifestações são inespecíficas (já que podem ser confundidas com outras doenças). Atingidos podem apresentar, no entanto, febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias, mas a maioria das pessoas melhora após esse período, informa a Fiocruz.

Já a forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso.

A doença é transmitida quando um mosquito pica um humano ou macaco infectado e, depois, com o vírus em seu organismo, volta a picar uma pessoa ou animal.

Fonte: www.g1.globo.com

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com