Quebra de resguardo: mitos e verdades

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O resguardo é o período onde as dúvidas surgem com muita frequência na vida dos pais. Durante essa fase algumas atividades devem ser evitadas para que não ocorra complicações para a saúde das mamães.

Você tem muitas dúvidas sobre a quebra de resguardo? Veja o que é mito e verdade:

Há muitas recém-mamães que se preocupam em lidar com as novas emoções da maternidade, bem como em restabelecer o corpo, que encarou muitas transformações ao longo da gestação.

Para se ter uma ideia, o útero por exemplo, sofre uma mudança radical. Ele pode crescer até 100 vezes o seu tamanho original durante a gestação e o seu peso passa dos 50 a 60 g para mais de 1 kg para abrigar um bebê que pode chegar a mais de 3 quilos. Por essa e outras razões, os médicos orientam respeitar um período de cerca de 40 dias de recuperação após o parto.

Quebra de resguardo: mitos e verdades
Este período é chamado de Puerpério, conhecido como resguardo ou quarentena. Não há diferenças entre o resguardo do parto normal e da cesárea. Em ambos os casos os cuidados e tempo são iguais.

O que é o Puerpério?
Durante este período, o corpo da mulher passa por profundas modificações físicas e emocionais para retornar ao estado antes da gravidez. Ao mesmo tempo em que recupera lentamente do parto e das alterações ocorridas ao longo da gestação, a mãe também necessita se adaptar ao seu papel. Todas estas mudanças também podem ter um impacto intenso no humor e deixá-la mais sensível e vulnerável.

Pela medicina, o puerpério é dividido em três fases:

– Puerpério imediato: inicia logo após a saída da placenta e dura aproximadamente duas horas;

– Puerpério mediato: desde o puerpério imediato até 10º dia. Neste período ocorre a regressão do útero, a loquiação apresenta-se em quantidade moderada para escassa e amarelada;

– Puerpério tardio: do décimo ao quadragésimo quinto dia;

– Puerpério remoto: além do quadragésimo quinto dia até que a mulher retome sua função reprodutiva.

Lóquios
Os lóquios são corrimentos vaginais, semelhante a uma menstruação, constituídos por secreções uterinas e vaginais, sangue e revestimento do útero. A sua duração varia, sendo a média de 21 dias, mas que pode prolongar pelos primeiros dois a três meses após o parto. As características da loquiação variam ao longo do tempo: cor de sangue nos primeiros 2 a 4 dias; mais rosadas à medida que a perda vai diminuindo; esbranquiçadas ou amareladas após 10 dias.

Quebra de resguardo
Durante o resguardo há a recuperação dos órgãos genitais femininos. É nesse período que ocorrem os lóquios. Essa secreção é rica em proteínas e altera o PH vaginal. A quebra de resguardo pode incidir no risco de infecção vaginal e uterina para a mulher e, para o homem, aumenta o risco de infecção prostática.

Se a mulher teve parto normal, a penetração também pode doer e machucar. Já no caso de cesárea, além do risco de infecção, pode haver ferimentos na incisão abdominal, que está sensível e em processo de cicatrização. Por isso, o mais indicado é não quebrar o resguardo e aguardar o prazo de 40 dias. E se ocorrer febre em qualquer momento pode ser um sintoma de infecção. Então, ao menor sinal de febre procure rapidamente um médico.

Além disso, caso aconteça a quebra de resguardo, há a possibilidade de a mulher engravidar nesse período. Apesar de a probabilidade ser pequena por causa da amamentação, e também porque a fertilidade retoma normalmente 45 dias após o parto, a gravidez não é impossível durante o resguardo. Por isso, o indicado nesta fase é a utilização de um método contraceptivo eficaz de uso permitido que não prejudique a lactação.

A mulher não pode lavar a cabeça durante o resguardo.

Mito! Antigamente se acreditava em uma crença de que o sangramento poderia reverter da vagina para a cabeça, deixando a mulher louca, o que não passa de um mito popular. No resguardo não há problema nenhum em manter a higiene em dia lavando os cabelos.

Pode ocorrer um aumento da queda de cabelo nesse período.

Verdade! O cabelo cai devido à alteração da taxa de alguns hormônios da mulher nessa fase. Mas não se preocupe, pois é algo temporário. Respeitando as transformações do seu corpo, o resguardo passará sem maiores transtornos e preocupações.

Amamentar pode deixar as mamas caídas.

Mito! O que contribui ou não para isso é a predisposição genética da mama.

É normal nesse período a mulher não sentir desejo sexual.

Verdade! Depois de retirar a placenta há uma queda dos hormônios na mulher, ocorrendo a redução da libido, bem como da lubrificação vaginal. Além disso, a nova rotina, muito mais cansativa, pode fazer com que a mulher queira deixar o sexo em último plano. Contudo, com o tempo, tudo tende a voltar ao normal.

No resguardo não se pode praticar atividade física.

Mito! A prática de exercícios leves como caminhada, yoga e atividades de alongamento estão liberadas após 15 dias para os partos normais e 30 para as cesáreas.

A mulher está proibida de carregar peso.

Verdade! Principalmente na primeira semana após o parto. Nesse período é recomendado às mães evitar dirigir, segurar sacolas de supermercado pesadas e, em alguns casos, segurar o filho mais velho no colo. Ao longo das semanas é possível retornar às tarefas do dia a dia gradativamente. Mulheres que foram submetidas à cesariana devem evitar grandes esforços pelo período de 1 mês – como qualquer cirurgia, a cesariana deixa vulnerável a região abdominal da mulher, além da cicatriz e do curativo, a incisão dificulta os movimentos e provoca dor.

Amamentar ajuda a emagrecer.

Verdade! Isso acontece porque seu metabolismo fica mais acelerado devido à produção de leite. Amamentar emagrece uma média de dois quilos por mês. A produção de leite é uma atividade tão intensa que exige da mãe cerca de 600 a 800 calorias por dia, o que equivale a meia hora de caminhada moderada.

Pode ocorrer incontinência urinária.

Às vezes! Há alguns casos em que mulheres, durante este período, podem perder algum controle sobre a bexiga e sentir uma vontade súbita e incontrolável de urinar. A perda involuntária de urina é situação passageira e tudo voltará ao normal até cerca de 3 meses após o parto. Existe um exercício, chamado Kegel, que ajuda a recuperar a força muscular da bexiga. Tente fazer!

É normal sofrer de prisão de ventre no pós-parto.

Às vezes! O problema pode ser evitado ao adotar uma alimentação rica em fibras (como mamão, laranja, aveia e alimentos integrais) e muito líquido.

Importante salientar que o período de resguardo é para a mulher descansar. Por isso a recomendação é dormir bastante e retomar as atividades diárias aos poucos.

Além disso, como esse período é recheado com uma série de crendices populares, o mais aconselhável é você, recém-mamãe, procurar o seu médico para tirar as dúvidas.

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